Fonte: Folha de S. Paulo |
Data: 12/09/2009
Ao "convocar" Obama por conta de ampliação do acordo EUA-Colômbia, Lula reforça pantomima bolivariana na Unasul COMO PREVISTO , a reunião da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) em Quito foi dominada pelo tema da ampliação do uso de bases militares colombianas pelos Estados Unidos. A claque bolivariana impôs à retórica do encontro um ultrapassado tom de antiamericanismo.
A armadilha de Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia) voltou a enredar o presidente do Brasil. Lula "convocou" Barack Obama para uma reunião da Unasul -algo que teria tanta chance de resultar em diálogo produtivo quanto um ultimato da troica a Álvaro Uribe, caso o presidente da Colômbia tivesse comparecido à cúpula. Com sua manifestação, o brasileiro só fez legitimar a pauta extemporânea.
Não se trata de dizer que o Brasil e outros países sul-americanos extrapolam ao ocupar-se da presença militar da maior potência mundial em sua vizinhança. A ampliação do acordo EUA-Colômbia traz um elemento de desequilíbrio que merece cuidado, em particular à luz da recente reativação da Quarta Frota americana para este subcontinente. Nada que se equipare, porém, a "ventos de guerra" sobre a região, como se expressou Chávez com a desmesura habitual.
Basta ouvir especialistas a respeito, como fez esta Folha. Militares brasileiros entrevistados descartam qualquer ameaça estratégica no uso das sete bases pelos EUA. Enxergam no acordo uma extensão da colaboração antiga para combate ao tráfico de drogas e à guerrilha, cada vez mais indistinguíveis.
Com efeito, Uribe não pode contar com seus vizinhos bolivarianos na solução desse conflito interno. Há indícios de tolerância e até de colaboração com as Farc (a narcoguerrilha colombiana) da parte de Venezuela e Equador. Foi com o apoio dos EUA que Bogotá colheu duas vitórias significativas em 2008: um ponto final aos sequestros promovidos pelas Farc e a redução de 18% na área plantada de coca, acompanhada da queda de 28% no volume de produção de cocaína, segundo dados da ONU.
O erro de Uribe e Obama foi o de não terem preparado nações-chave da região, como o Brasil, para a ampliação do acordo. Um esforço de transparência teria evitado a propagação da versão de que os EUA operariam diretamente novas bases na Colômbia, quando isso não está previsto.
O próximo teste da Unasul será em Buenos Aires, em nova reunião presidencial a realizar-se ainda neste mês, possivelmente com a presença de Uribe. Aí ficará mais claro se o bloco está destinado a tornar-se só mais um palanque para o chavismo ou uma aliança regional forte o bastante para desfechar um combate coordenado e eficaz ao narcotráfico no subcontinente.
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