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Artigo: As enchentes do Norteste
Fonte: Artigo do Senador Demóstenes Torres - publicado no Blog do NOBLAT | Data: 14/5/2009

As enchentes no nordeste e as secas no sul do Brasil são indicativo de que as
mudanças climáticas já estão produzindo consequências às avessas nos trópicos, como
se previu. Certo? Mais ou menos. Os estudos científicos ainda não atestam que o
aquecimento global virou o mundo de cabeça para abaixo. Conforme afirmam, somente
observações sistemáticas do comportamento do clima nos próximos 20 ou 30 anos vão
poder comprovar até que ponto a ação antrópica é responsável pelas catástrofes. O
que há de certo no caso é a incapacidade do governo de gerenciar desastres
meteorológicos previstos com antecedência segura e que não poderiam ser tratados com
tamanha improvisação.

O menos prudente, agora, é discutir a existência do aquecimento global, embora há
ramo científico cujo entendimento aponta que em vez do derretimento dos pólos, o
planeta pode estar a caminho de uma nova glaciação. Para o fogo ou para o gelo, o
Brasil precisa se preparar, o que em ecologês se dá o nome de economia de adaptação
às mudanças climáticas. Isso engloba o desenvolvimento de praticamente tudo que não
conseguimos fazer até agora, a exemplo de diversificação da economia ainda
fortemente concentrada na exportação de commodities; investimentos em saúde e
educação; capacidade de desenvolvimento tecnológico para o gerenciamento de
catástrofes e boa-governança.

É isso mesmo, as mudanças climáticas vão exigir cada vez mais governos competentes e
menos corruptos. Poderemos estar no pior dos mundos caso o aquecimento global se
confirme principalmente porque é certo que os pobres serão os mais afetados. O
Brasil tem estoque de pobreza para encher a América Latina. Para piorar a situação
deve ser o destinatário da imigração em massa principalmente dos países andinos,
cuja perspectiva de futuro neste cenário dramático de alteração do clima é
assustadora.

De acordo com a obra "A economia da mudança climática", editada pela Universidade de
Cambridge, o aumento de 1 grau na temperatura do planeta implicaria no
desaparecimento das pequenas geleiras dos Andes, com previsão de afetar o suprimento
de água para mais de 50 milhões de pessoas na região. Portanto, não seria Yankee,
mas Aymara a ocupação estrangeira da amazônica nacional. Será que celebraríamos tal
cenário como ventura da integração latinoamericana?

Ao contrário do que ocorreu nos deslizamentos em Santa Catariana, quando também se
especulou sobre obra do aquecimento global, no norte e nordeste a falta de
infraestrutura, pobreza extrema e governo de menos agravaram os estragos provocados
pelas chuvas. Aí o que era para ser considerado deficiência do sistema viário,
ausência de defesa civil e falta de zoneamento ambiental, passa a ser culpa da
mudança climática. E assim se cria uma superstição. A gente acredita, propaga e
salva o governo de qualquer responsabilidade. Perfeitamente, o problema é o gás
carbônico, como diz um certo presidente ao se referir às emissões de CO2.


Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)


Fonte: Artigo do Senador Demóstenes Torres - publicado no Blog do NOBLAT, hoje, 14.5.2009 |
9h29m, sobre "As enchentes do Norteste"


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